Pelas últimas aulas tivemos o privilégio de ouvir histórias de projetos inspiradores, de pessoas inspiradoras engajadas com a saúde mental. Porque a arte? Porque "o sujeito considerado incapaz e perigoso, pela arte e pela cultura pode ser considerado capaz e sociável"***
O projeto Doida de Pedra veio de Recife pra cá com uma artista que se identificou com o trabalho em hospitais. Ela diz que depois de toda essa experiência, está em elaboração um Espetáculo pós-traumático! Porque? Porque da mesma forma que ela atuou nesses lugares
Nessa sensibilidade de artista ela enfatiza o contato. Com tato. Corpo presente, sujeito presente em contato. Tudo que acontece na oficina é o efeito do contato de estar presentificável. Esse contato me lembrou muito o momento eu-tu de Buber.
Na oficina recente ela ensina dança cigana. Num sentido além da sensualidade, estamos falando da possibilidade de entrar em contato com o próprio corpo: ela ensina os movimentos, e não a técnica. Não acha legal ter espelho na sala, pois acha melhor se ver pelos outros.
Eu corpo em relação no mundo.
A segunda palestra foi de um psicólogo que veio nos inspirar contando histórias de mosaico e percussão. Já me ganhou na frase "O bom do mosaico é que tem que ser errado". Além disso, a escolha de fazer uma oficina de mosaico foi para abrir a possibilidade de intervenção urbana, de ocupar a cidade. Porque ocupando a cidade, mudamos a antiga opinião da comunidade de grupo-isolado-estranho-de-doidos.
É legal isso de prática de intervenção urbana por ser uma via de mão dupla: da mesma forma que a comunidade antes nos rejeitava, nós não sentíamos bem em ocupar a cidade. Na medida que nós intervimos, a comunidade pode mudar a opinião, e nós nos sentimos muito mais naturalizados em ocupar a cidade, a praça, a parada, que nós intervimos.
Colocada desse jeito, a oficina de ensinar uma técnica de arte agrega as funções de mostrar a potencialidade das pessoas que percebem que podem sim aprender e realizar, e principalmente - na minha opinião, a mudança de estigma, de identidade. Na mesma linha da questão da importância do trabalho para as pessoas, que o trabalho é a sua identidade, quando alguém tem essa possibilidade de aprender uma técnica, ela pode passar do estigma negativo do diagnóstico para algo positivo subjetivamente saudável.
Outra identidade para o ser no mundo.
*** O texto está permeado de ideias que não são minhas, e sim dos palestrantes!
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