18 de outubro de 2014

Consultório de Rua & Política de Redução de danos

Assistimos em sala de aula o INTERESSANTÍSSIMO documentário:


Consultório de Rua: a rua não é um mundo fora do nosso mundo





Recortes do vídeo comentados:

  • dar o acesso ao sujeito de direitos, garantia de direito;
  • Vínculo baseado em confiança; Isso me faz pensar como que a equipe do consultório de rua tem que ir com o que se é, literalmente. Quando você espera lá na sua clínica, ou na sua sala do hospital ou mesmo do CAPS, que venham até você atrás da sua ajuda, você cumpre o seu papel de entendedor, de quem pode ajudar. Agora quando é você o interessado a ir falar com as pessoas na rua vender o seu peixe, "vender" o serviço de saúde, se não entender a dinâmica da rua, não vai rolar nada. Aqui é realmente entrar pra conseguir se comunicar no meio e passar confiança.
  • Atenção primária;
  • Dar a autonomia para aceitar o tratamento; é uma espécie de empoderamento, e o que é empoderamento? Quem não está por dentro de nenhuma luta de alguma minoria política pode não entender muito bem esse termo.  Eis uma boa definição: Significa em geral a ação coletiva desenvolvida pelos indivíduos quando participam de espaços privilegiados de decisões, de consciência social dos direitos sociais.
  • Trabalho de redução de danos em conjunto com o consultório de rua; Acho até que se pode dizer que o próprio consultório de rua já é fruto de uma política de redução de danos. Chegar à compreensão de que esperar as pessoas saírem das ruas e oferecer tratamento depois nunca vai ser satisfatório
  • A rua evidencia coisas... Exigir que as coisas funcionem direito, que se entenda o território de uma outra forma!; Acredito que essa prática do consultório de rua pode fornecer aos moradores de rua o acesso, o acolhimento e o acompanhamento que normalmente eles não teriam. Schmidt e Figueiredo (2009) apontam que estes 3 aspectos devem sem os norteadores da prestação de serviços de saúde.

Como trabalhar no caminho da redução de danos? Existe uma barreira moral, eu diria, quando se expõe as políticas de redução de danos à massa. Eu acredito que seja aquilo que eu li de Foucault lááá no começo do semestre sobre a concepção de "sermos tão bons, benevolentes e cristãos que temos de fazer o  melhor pra vida dessas pessoas que é elas mudarem o comportamento custe o custar: internações, isolamento, internação compulsória, tirar das ruas, por em algum lugar contra a vontade deles, porque na verdade nós sabemos o que é melhor pra eles".

Acontece que a redução de danos chegou à conclusão de que fingir que não existem os problemas não é mais a solução.
Se acabar com as drogas é utópico, pq parece ser uma condição do humano usar substâncias que distorcem a percepção humana, vamos dialogar sobre isso o que podemos proporcionar então?
Gerar outras fontes de prazer/lazer e gerar autocuidado em pequenas doses - silicone no cachimbo pra não queimar a boca>> pra mim isso é como uma ressignificação do vício, ou uso das drogas.

Referência:
SCHMIDT, M.; FIGUEIREDO, A.(2009) Acesso, acolhimento e acompanhamento: três desafios para o cotidiano da clínica em saúde mental. Rev. Latinoam. Psicopat. Fund., v.12, n.1, p.130-40.

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