Amarante (2007) dá um contexto de como a humanidade chegou nessa ideia de que os loucos deveriam ser tratados de outra forma. Ele afirma que as duas grandes guerras mundiais fizeram as pessoas refletirem sobre a natureza humana desde a crueldade à solidariedade existentes entre a humanidade. Há então um movimento da psicologia - e de várias outras ciências humanas ou não - a se voltarem para o social.
guerras.. pena.. sofrimento alheio
Então o pessoal (o pessoal das reformas que eu falei em outro post) seguiu a linha de raciocínio da contra-mão. O que nós temos?
>> Instituições com muros altos e cercas
>> Primeira ordem será o isolamento
>> Transformar loucos em pessoas totalmente sem identidade
>> Esperar que ser dócil e obediente é o comportamento ideal!
Chegamos à conclusão de que isso não está satisfatório, as pessoas acabam morrendo nos hospitais e não voltam nunca ao convívio social, que deveria ser a meta. Vamos então, no mínimo, fazer o seguinte:
<< Mudar a cara das instituições, quer saber, nem vamos chamar disso, precisamos de algo novo, vamos desospitalizar , e internar só quando estritamente necessário, nops momentos de crise que precisa de medicação e outros cuidados.
<< Isolar os loucos não, eles precisam do convívio social agora e não depois! Retirar o sujeito do seu contexto não o ajuda a se restabelecer nem a se adaptar: tem que ser uma ação conjunta: o tratamento do louco que convive com todo mundo, porque todo mundo precisa entender que agora o louco não vai mais ficar isolado. O social importa muito, as pessoas da comunidade também fazem o louco, então elas também precisam conviver e mudar concepções.
<< Dignidade da pessoa humana também se aplica aos loucos. Eles não são bichos diferentes dos humanos "normais" e possuem subjetividade, ele é mais uma forma ser no mundo (essa concepção é particularmente minha, não sei se é bem visto pelos psiquiatras..)
<< Eles precisam desenvolver autonomia! au.to.no.mi.a sf (gr autonomía) 1 Qualidade ou estado de autônomo. 3 Liberdade moral ou intelectual.4 Biol Independência funcional de partes do organismo ou do organismo inteiro.
Isso é o que fica pra mim sobre a reforma, e sobre a luta antimanicomial: existia uma via de mão única, mas as guerras mundiais foram uma freada brusca para muitos contextos e aspectos da sociedade, ocidental principalmente, que estava no começo do processo de ampliação e globalização, inclusive o da saúde mental. Pegamos uma outra via e estamos indo na contra-mão, mas a via agora é de sentido duplo agora: estamos em transição.
Referência:
Amarante, P. (2007). Das psiquiatrias reformadas às rupturas com a psiquiatria. In: Amarante, P. Saúde Mental e atenção psicossocial. (37-60). Rio de Janeiro: Fiocruz.
Amarante, P. (2007). Das psiquiatrias reformadas às rupturas com a psiquiatria. In: Amarante, P. Saúde Mental e atenção psicossocial. (37-60). Rio de Janeiro: Fiocruz.
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